PEDRO PAULO LEONI 


Billy Blanco chegou à MPB em período de efervescência, justo quando uma nova geração de compositores decretava a falência do velho samba canção, ou samba dor-de-cotovelo, sarcasticamente batizado por Ary Barroso de sambolero. Arquitetavam-se então os fundamentos do que viria a ser , pouco depois , a grande revolução bossanovista. 

Ainda estagiário de Arquitetura, o jovem paraense, estimulado pelos compositores Armando Cavalcante e Klecius Caldas, foi introduzido no grupo daqueles inovadores que imediatamente se renderam ao talento musical e poético do recém-chegado. 

Em pouco tempo , Billy trafegava com rara desenvoltura por entre grandes nomes da MPB, alguns já revelados, e outros que viriam a ser expoentes de primeira grandeza em nosso cenário artístico. 

Dessa convivência nasceram parcerias definitivamente clássicas como as com Tom Jobim e Baden Powell: quem não lembra , por exemplo , de Teresa da Praia e de Samba Triste

Contudo o Billy que se revela em toda a grandeza de sua criatividade é o Billy, autor de letras e melodias de intensa força de comunicação, sem a participação de parceiros. 

Poeta do cotidiano, usando sua viola para compor jóias como Praça Mauá, Estatuto da Gafieira, a Banca do Distinto, Mocinho Bonito, Se a gente grande soubesse, em cujas letras se entremeiam laivos de fina ironia com traços de humorismo fino e elegante, Billy Blanco faz jus a estar na galeria dos maiores vultos da MPB. Quem, senão ele, possui em sua vasta contribuição musical obras primas como Sinfonia do Rio de Janeiro e Pistom de Gafieira


Pedro Paulo Leoni é compositor e produtor de shows no Rio e Brasília. Foi o fundador da Radiobrás e pioneiro, no País, de emissora dedicada exclusivamente à divulgação da boa música popular brasileira (Radio Nacional FM RJ e DF)