MOCINHO BONITO

Billy Blanco
1958

Com um pouco de mim - porque ao chegar no Rio fui morar com a "mana do peito" D. Petita, que "livrava" vintão toda semana - e um pouco de observação do comportamento da moçada da minha época, armei um sambinha despretensioso que acabou marcando um tipo bem carioca da década de 50. Minha amiga Adelina Doris Monteiro encarou corajosamente o Mocinho Bonito, que cantou em meio à chuva de boleros executados nas rádios do país, arriscando-se a críticas, não fosse ela própria, na ocasião, uma das melhores cantoras do gênero mexicano. Mas parece que deu certo a mudança de gênero da Doris, quando ela deu este recado:


Mocinho bonito,
perfeito improviso do falso grã-fino,
no corpo é atleta, no crânio é menino,
que além do á-bê-cê nada mais aprendeu.
Queimado de sol,
cabelo assanhado com muito cuidado,
na pinta de conde se esconde um coitado,
um pobre farsante que a sorte esqueceu.

Contando vantagem,
que vive de renda e mora em palácio,
procura esquecer um barraco do Estácio,
lugar de origem que há pouco deixou.

Mocinho bonito,
que é falso malandro de Copacabana,
o mais que consegue é vintão por semana,
que a mana do peito jamais lhe negou.

Texto extraído do livro Tirando de Letra e Música, de autoria de Billy Blanco, Editora Record, 2001.

Ouvir a interpretação de Billy Blanco