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PERY
RIBEIRO Uma linguagem que se destacou no meio de tantas cabeças maravilhosas, foi sem dúvida a de Billy Blanco. Cronista de sua época, tinha uma linguagem de fácil acesso ao gosto do povo, que encontrava em Billy eco para as suas próprias críticas. Billy cantou o amor, a beleza do Rio, cidade que escolheu para viver; satirizou desde o 'high-society' dominante na época, passando pelos desfiles de moda, políticos inoperantes, ricos que não carregam embrulhos; destacou a gafieira, a feiura da Praça Mauá, as favelas vistas da Lagoa, no "Samba da Lagoa." (essa ainda tenho que gravar!). Foi mais longe ainda: soube ser popular mesmo compondo sinfonias. Na "Sinfonia do Rio de Janeiro", teve Tom Jobim como parceiro; na "Sinfonia de São Paulo", cantou o caleidoscópio da grande metrópole, numa homenagem à sua esposa, Ruth, paulistana de nascimento; e na "Guajará - Suite do Arco-Íris", em homenagem a Belem do Pará, cantou as suas raízes. Tenho especial orgulho de ter participado das Sinfonias de São Paulo e de Belém do Pará. Billy é sem dúvida um dos compositores mais inteligentes que esse Brasil já conheceu e cantou. Parceiro de talentosos violonistas, de diferentes gerações, como Baden Powell e Sebastião Tapajós, sua contribuição para o enriquecimento do repertório popular brasileiro é inestimável. E esse gigante bem merece ser homenageado, pelo legado de beleza que nos deixa ao cantar todas as nossas imagens, transformadas em música pela genialidade de Billy Blanco. Meu amigo, meu amado, meu conselheiro e quase pai (nós nos adotamos!), que Deus o conserve e lhe dê vida longa para saborear todas as homenagens. Saiba que sua obra estará sempre brilhando nos corações dos amantes da boa música, e transcenderá o seu talento, repousada na eternidade. Teu amado
Pery
Ribeiro, cantor
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