PISTON DE GAFIEIRA

Billy Blanco
1959

Certo dia, às seis e meia da noite, Antônio Sady baixava a grade da loja Sady Sedas (que já não existe), justamente quando eu chegava. Brincando, ele disse: "Quem está de fora não entra!" e eu retruquei: "Quem está de dentro não sai!" Meu amigo Antônio acrescentou: "Isso dá samba, Billy. Vai nessa!" E deu.

Para usar os motes surgidos tão naturalmente, imaginei uma situação em gafieira, aproveitando para falar do bambolê, muito em moda na época, do vestido-saco, que surgia com força sexual, e dos aplicados alunos de jiu-jitsu dos Gracie. Assim é que nasceu, fruto de pura imaginação, embora parecesse um flash de salão, o Piston de Gafieira, para serem usadas as expressões "Quem está de fora não entra" e "Quem está de dentro não sai".

              

     
Na gafieira segue o baile calmamente
Com muita gente dando volta no salão
Tudo vai bem, mas eis porém que de repente
Um pé subiu e alguém de cara foi ao chão  

Não é que o Doca, um crioulo comportado
Ficou tarado quando viu a Dagmar
Toda soltinha dentro de um vestido saco
Tendo ao lado um cara fraco
E foi tirá-la pra dançar  

O moço era faixa preta simplesmente
E fez o Doca rebolar sem bambolê
A porta fecha enquanto o duro vai não vai
Quem está fora não entra  / Quem está dentro não sai  

Mas a orquestra sempre toma  providência
Tocando alto p’ra polícia não manjar
E nessa altura como parte da rotina
O piston tira a surdina e põe as coisas no lugar.

Texto extraído do livro Tirando de Letra e Música, de autoria de Billy Blanco, Editora Record, 2001.

Ouvir a interpretação de Billy Blanco