Renato Mismetti - Barítono - Maximiliano de Brito - Piano

Francisco Mignone (1897-1986)

FRANCISCO MIGNONE, filho de pais italianos, após haver estudado na Itália retornou ao Brasil e, instigado pelo pensamento de Mário de Andrade, líder intelectual do movimento modernista de 1922, teve a atenção voltada para o folclore brasileiro e com isto suas tendências musicais consolidadas.

Desta forma expressou em sua música tão variada e multifacetada a intensa busca de uma identidade cultural, sendo por isto considerado uma das maiores expressões do nacionalismo musical brasileiro do século XX.

Mignone apresenta diversas influências em sua obra no decorrer de seu trabalho de compositor: inicialmente a influência da música italiana, passando mais tarde, ainda vivendo na Europa, a compor inspirado em temas brasileiros. Claramente perceptível é a influência africana, que se manifesta pela utilização de carateres e ritmos, sobretudo pelas diversas composições com texto iorubá. Outra grande influência é a da música popular, na qual foi buscar inspiração para as valsas de violão e de "pianeiros", as Valsas de Esquina, serestas e chorinhos caipiras.

Abandonou a fase nacionalista no início da década de 1960, quando passou a compor obras atonais. Com exceção de suas músicas sacras e composições para violão, manteve este novo estilo até a década de 1970, quando retomou a composição de música tonal.

Fundou o Conservatório Brasileiro de Música, do qual foi também professor. Ocupou a cátedra de regência do Instituto Nacional de Música (INM, atual Escola Nacional de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro), cargo que ocupou de 1934 a 1967, e foi membro da Academia Nacional de Música.