Renato Mismetti - Barítono - Maximiliano de Brito - Piano

Heitor Villa-Lobos (1887-1959)

HEITOR VILLA-LOBOS, internacionalmente o mais célebre dos compositores brasileiros, exprimiu em sua obra abundante e variada o que ele mesmo chamava de "alma brasileira".

Foi um autodidata, havendo fracassado em sua tentativa de estudar composição sistematicamente. Frente ao dogmatismo de seus professores no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, Villa-Lobos interrompeu seus estudos, embarcou para a Europa em 1923 e alcançou rapidamente sucesso na capital francesa. A imprensa o acolheu entusiasticamente e sua música começou a ser impressa e executada frequentemente.

Até 1930 Villa-Lobos viveu a maior parte do tempo em Paris e estabeleceu contatos com Maurice Ravel, Manuel de Falla, Arthur Honegger, Igor Stravinsky, Sergei Prokofieff e Edgar Varèse. Ao lado disso, ocupou-se intensamente com a obra de Johann Sebastian Bach e outros grandes mestres do passado.

Ao retornar a seu país, foi recebido com grande reconhecimento. O governo brasileiro confiou-lhe a tarefa de supervisionar a educação musical do país, dando-lhe a possibilidade de introduzir novos métodos de pedagogia musical, sobretudo no campo da música coral.

Villa-Lobos é praticamente um dos únicos poucos compositores que souberam tão bem aliar as formas de expressão indígena e a tradição européia. Em sua juventude aliou-se aos "Chorões", os seresteiros do Rio de Janeiro, e ganhou a vida como músico de ocasião, tocando em casamentos, carnaval, cafés ou teatros. As impressões e experiências desta época trouxeram-lhe a certeza de que uma verdadeira personalidade musical brasileira só poderia ser definida quando nela se reunissem os principais elementos da tradição de seu país: as tendências e estilos dos índios, dos africanos, dos portugueses e de outros grupos europeus.

Longas viagens em diferentes regiões do Brasil forneceram a Villa-Lobos fontes de inspiração decisivas para suas composições, cuja diversidade é fortemente marcada por sua inconfundível personalidade. Como Bartók e Kodály, Villa-Lobos recolheu numerosos cantos e melodias nas mais recônditas paragens do interior do país, material este que, aproveitado magistralmente, teria significância decisiva para a música brasileira. Esta "releitura" das manifestações da alma popular conferiu ao compositor a categoria de um dos pioneiros da música do século XX.

Ao morrer, em 1959, deixou cerca de 1500 obras, entre elas 5 óperas, 15 ballets, 12 sinfonias, 13 poemas sinfônicos, 9 Bachianas Brasileiras, 16 choros, 10 quartetos de cordas e uma centena de canções.