No mês de agosto de cada ano, a bela e pacata cidade de Bayreuth (Alemanha) se torna a ”Meca“ dos melômanos e do jet-set internacional. Para lá afluem dezenas de milhares de turistas e  pessoas vivamente interessadas em música, além naturalmente dos aficcionados de Richard Wagner. Na temporada de 2001, desenvolveu-se já pela segunda vez naquela localidade significativa para o mundo da música um interessante projeto: Zauber Amazônia (“Encanto da Amazônia”). O barítono Renato Mismetti e o pianista Maximiliano de Brito se apresentaram com um programa de concerto basicamente todo brasileiro na fabulosa Casa de Ópera da Marquesa Wilhelmine de Brandemburgo e Bayreuth – uma das mais bonitas do mundo; conservada, entre poucas outras a ela equiparáveis, praticamente intacta na sua opulência original do período barroco.

“Um programa de concerto basicamente todo brasileiro” poderia soar como um problema estilístico se não se conhece o contexto daquela apresentação. Na verdade, Zauber Amazônia foi o tema do segundo ano da série Poesia&Música – um projeto de intercâmbio cultural dos músicos Mismetti e de Brito, em que, ao lado de obras do repertório tradicional da canção brasileira, são apresentadas em primeira audição mundial obras de compositores brasileiros sobre textos de poetas europeus e reciprocamente de compositores europeus sobre poesia brasileira. A idéia condutora deste projeto é o fomento de um contato criativo de culturas geograficamente tão distantes; no ano de 2001 deu-se seqüência ao projeto denominado de maneira ampla Brasilianische Klänge (“Sonoridades Brasileiras”) pois em cada elemento integrante do concerto a cultura brasileira estava representada – seja por sua Poesia ou sua Música.

Renato Mismetti foi há alguns anos atrás bolsista da Richard Wagner Verband (Associação Richard Wagner) e em 1994 em Bayreuth ministrou, juntamente com Maximiliano de Brito, no Festival Internacional  de Jovens Músicos, um curso de “Interpretação da Canção de Arte Brasileira”. Este curso tem, na verdade, um valor histórico, quando se considera que pela primeira vez a canção de arte brasileira teve um enfoque específico num festival internacional europeu. Já naquele ano, este duo de brasileiros já fundava sua reputação atualmente solidificada de “embaixadores da cultura brasileira”.