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PARTE 1/4

Dois proeminentes artistas brasileiros, o barítono Renato Mismetti e o pianista Maximiliano de Brito, já conhecidos pelo público de Bayreuth pelos seus trabalhos em anos anteriores, apresentaram durante a temporada de festivais de 2001 um Recital de Canto com obras de compositores de seu país. A  Apollon-Stiftung,  (Fundação Apollon) de Bremen, - como no ano anterior - foi a promotora deste evento, que se realizou em um dos mais belos teatros barrocos da Europa. O programa  executado foi composto por obras de Heitor Villa-Lobos (1887-1959), Waldemar Henrique (1905-1995) e de obras inéditas de três compositores contemporâneos.

Depois do sucesso do ano 2000 com os recitais de Bayreuth e de Berlim, a Apollon-Stiftung, no seu propósito de incentivo ao intercâmbio da música e da literatura internacionais, realizou em 2001 um projeto com duas compositoras: a brasileira Kilza Setti (nasc. 1932) e a romena Violeta Dinescu (nasc. 1953), que vive na Alemanha desde 1985. Kilza Setti compôs um ciclo de canções sobre textos da poetisa alemã Margret Hölle, sob o título Singende Landschaften (Paisagens Cantantes), e Violeta Dinescu musicou poemas da brasileira Cecília Meireles, ciclo intitulado como Crônicas Poéticas dos Índios. Assim foram executadas obras de quatro mulheres num ambiente histórico de grande beleza, que também foi construído por uma mulher: a Marquesa Wilhelmine de Bayreuth, que também foi uma compositora. Ainda no encerramento do programa, destacou-se a estréia mundial da cantata Amazônia, composta especialmente para o evento por Marlos Nobre (nasc.1939), o mais conhecido compositor contemporâneo do Brasil. Esta obra tem como título o tema do projeto e foi dedicada aos seus dois intérpretes.

Este recital, assim como a apresentação dos dois artistas durante os Festivais de Ópera Richard Wagner em Bayreuth, não estabeleceu apenas uma ponte artística atual entre culturas dos dois continentes, mas também trouxe à lembrança a já  antiga relação do Brasil com esta cidade e este Festival, na figura do então Imperador brasileiro Dom Pedro II, apoiador de Richard Wagner e que esteve ele mesmo presente na abertura dos primeiros Festivais em 1876 em Bayreuth. O concerto proporcionou um panorama da fascinante riqueza da cultura musical de um país de dimensões continentais, cuja superfície é maior que a Europa. A cultura e sobretudo a música brasileira tem um inconfundível brilho adquirido pela influência de vários povos que a compõem; seja pela herança dos índios, seja pela dos imigrantes europeus e asiáticos, seja pela dos africanos. A Canção de Arte Brasileira é de um colorido especial e sua rica diversidade é ímpar em seu desenvolvimento assentado formalmente na música européia desde início de século XIX, sofrendo a influência de tantos outros elementos culturais que determinarão seu caráter. Conhecedores e amantes da arte do Lied, assim como todos os novos amigos da música, tiveram certamente nesta  oportunidade  momentos de grande prazer e de enriquecimento.

Renato Mismetti e Maximiliano de Brito foram os professores, em 1994, durante o 44º. Festival Internacional de Jovens Artistas em Bayreuth, do primeiro curso de Interpretação da Canção de Arte Brasileira no âmbito de um festival europeu de música. Estes dois músicos foram aplaudidos com muito entusiasmo em sua tournée de concertos por várias cidades da Europa e EUA e voltaram com este recital para o ponto de partida de sua atuação européia - um evento especial, do qual não se conhece oferta similar entre os festivais de música europeus.